quarta-feira, 28 de maio de 2008

Educação Especial


A docente Alícia Abreu, especializada na área de Educação Especial, por forma a colaborar e dar a conhecer a amplitude do significado intrínseco à Educação Especial, profere umas palavras sobre esta área.

"Há muito que entendo que o Blog carecia de um espaço que fosse destinado à Educação Especial. Este tipo de Educação tem como suporte legislativo o Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro que prevê o acesso ao ensino regular para todos os alunos numa perspectiva de escola inclusiva, com propostas educativas flexíveis, coniventes com a ideia de que há capacidades cognitivas diferentes.
Na nossa Escola, prevalece uma população escolar extremamente heterogénea não só no aspecto cognitivo, mas também no aspecto cultural, social e afectivo. Esta realidade proporciona-nos diariamente um confronto com as mais diversas contradições: a unidade e a diversidade, a dependência e a autonomia, a harmonia e o conflito a igualdade e a diferença.
Estes extremos são vivenciados das mais variadas formas e entendidos por todos como uma oportunidade para aprender a trabalhar em conjunto. Desta forma, cada qual desempenha o papel que lhe cabe no processo educativo dos alunos consciente de que dependemos uns dos outros sem desvirtuar o espaço de cada um.
Proporcionar um ensino individualizado, aceitar as diferenças, reconhecer o que a criança é capaz de fazer e respeitar o seu ritmo, é a atitude individual adequada para o desenvolvimento de um trabalho cooperativo profícuo entre os diferentes intervenientes no processo educativo.
Desta forma apostamos num trabalho directo não só com as crianças, mas também com as famílias, com o objectivo de desenvolvermos comportamentos e práticas conducentes ao reforço das suas capacidades e competências de forma a fortalecer as relações parentais. Neste sentido, pretendemos uma maior optimização do ambiente familiar de modo a que os nossos alunos possam ter um desenvolvimento normal.
Na nossa profissão, sabemos que ensinar crianças tão diferentes umas das outras constitui um desafio permanente, isto se tivermos em conta que o professor tem de atender a todos considerando a diferença de cada um. Por um lado, os problemas sociais, a negligência familiar, o abandono e os maus-tratos de que muitas delas são alvo, são entraves que comprometem a rentabilização da nossa prática pedagógica e o sucesso educativo destes alunos.
No entanto, o esforço diário para manter o profissionalismo que nos caracteriza, leva-nos a superar muitos dos obstáculos com que nos deparamos no quotidiano. E tal como diz Zabalda, na profissão docente corre-se o risco da «imprevisiabilidade da clientela», todavia, e porque se trata de riscos, ser professor é ser capaz de transformá-los em aventura. E nesta arte socrática nenhuma outra profissão lhe é comparável (1994:65-66)."

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